segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Essa Mulher
Qu’eu não sei o que é que é
Só sei que só ela tem
Esse... "Tchan", esse... “Tcheré”
E só basta eu pensar nela
Pr’arrepiar a canela
E os cabelos do meu pé
Essa mulher tem um “Afff”
Eu nem sei dizer direito
É um... “Pluft”, é um... “Plaff”
Que chega me esquenta o peito
Essa mulher não é bela,
A beleza inveja ela
E quer ser do mesmo jeito!
João Pessoa, 08/02/2010.
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domingo, 7 de fevereiro de 2010
Bloco do eu Sozinho
Neste carnaval eu vou
Botar minha fantasia
Vou seguir qualquer orquestra
Que “frevorizar” folia
E sem perder o compasso
Vou demarcar meu espaço
Sendo a minha envergadura
E a mulher que nele entrar
Num só beijo perderá
Qualquer traço de candura
Neste carnaval eu vou
Vou fazer o qu’eu quiser
Vou dançar frevo à vontade
Num vestido de mulher
Vou curtir a mocidade
Pelas ruas da cidade
Seguindo agremiações
Com o coração sem foco
Conquistando em cada bloco
Outros tantos corações!
João Pessoa, 06/02/2010.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O Equilíbrio
Com o tempo tudo acaba por mudar...
É a vida, é a nossa natureza;
Universo buscando se equilibrar
Um equilíbrio que altera os dois lados
Mesmo qu’esses não quisessem se altear
São mudanças que por vezes não têm graça
E se acaso um dos lados não gostar
Tudo passa, até mesmo a uva-passa!
Amanhã ele nem mesmo vai lembrar...
João Pessoa, 05/02/2010
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Desabafo de um Super-Herói
Ainda assim não consigo
Desatar o nó que amarga
As palavras que hoje digo:
Desde que perdi o abrigo
Qu’eu tinha no teu abraço
Toda proeza qu’eu faço
Já não faz mais diferença
E assim já não compensa
Ser feito de puro aço...
Pra que vou querer voar
Se quando perto da lua
Mais uma vez vou lembrar
Da minha boca na tua?
E a super velocidade
Perdeu sua utilidade
Pois nem mesmo contra o vento
Na minha maior carreira
Quebrando todas barreiras
Não voltaria no tempo...
Mas o que mais me maltrata
São os meus super sentidos
Pois com minha dor de amor
Um mortal tinha morrido
Amar assim como eu amo
É algo sobre-humano
Que nem dá pra explicar
Basta dizer que isso dói
E mesmo um super-herói
Não escapa de chorar!
João Pessoa, 04/02/2010
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Se eu Fosse Dono do Mundo
Eu iria assim geri-lo:
Pra cada ronco de bucho
De pão doaria um quilo
Pra cada falta de teto
Moradia e asilo.
Se eu fosse dono do mundo
Era outra a humanidade
A morte só levaria
Quem fosse ruim de verdade
E ninguém mais morreria
Por passar necessidade
Se esse mundo fosse meu
Tinha outra conjuntura
Eu acabaria as guerras
Mudando a agricultura
Pois se eu só plantasse amor
Só se comia ternura!
Mas o mundo não é meu
E os nossos governantes
De tanto que o comeram
Deixaram o mundo gestante
De miséria, fome e dor
Sob um efeito estufante!
João Pessoa, 02/02/2010
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Suave Vetustade
Todos nascidos da mais bela flor
Quero também ouvir o som “vovô!”
Sair da boca de um moleque afoito
Quero aos oitenta ostentar dezoito
Tendo a saúde e vigor de um menino
Quero ter o amor mais genuíno
Ser um pai exemplar, avô correto
Super herói aos olhos de um bisneto
Ser um Zegino, um bravo nordestino!
Eu quero a sorte de driblar a morte
E assim ter tempo pra viver a vida
Eu quero uma história parecida
Co’a deste homem tão franzino e forte
Quero envelhecer mantendo o porte
Vendo concretizarem-se meus planos
Atropelando mágoas, desenganos
Sem deixar o sorriso esmorecer!
Pra resumir: quero um dia crescer
E ser vovô em seus oitenta anos!
João Pessoa, 22/01/2010.
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sábado, 26 de dezembro de 2009
Dança ou dança
dança assim, assado e como ninguém;
seu corpo todo se bole e balança,
e o mundo bole-balança também...
Já s’eu não danço, se eu fico aquém,
s’eu não balanço pra lhe acompanhar
não vou deixar, inda assim, de dançar;
pois s’eu não danço, aí é que eu danço:
sentado e olhando, tal qual um boi manso,
a Sá Menina dançar c’outro par!
João Pessoa, 26/12/2009
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Faces do Feio
Tem muito feio feliz
tem até feio que diz
que ser feio é que é graça!
Mas tem feio que disfarça
que chega a perder a calma.
Tem feio que até tem trauma
pela baixa formosura
pois excesso de feiúra
desconcerta até a alma!
João Pessoa, 07/12/2009.
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Conhecimento Adquirido
que não sabia de nada,
as poucos ele entende
a lição assimilada
e segue interrogando,
duvidando, observando,
estudando o obscuro,
afinando o pensamento,
gerando conhecimento
e melhorando o futuro!
Caminha na contramão
quem se nega a aprender,
quem gosta da escuridão
e aceita o que aparecer;
quem não pára pra pensar,
deixa a mente atrofiar
e no que ouve tem fé;
esse aí vive da sobra,
vira massa de manobra
e é levado na maré!
João Pessoa, 07/12/2009.
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domingo, 6 de dezembro de 2009
Ode a Morena
rebeldes, mas delicados,
escorrem sobre teu rosto,
de traços bem desenhados;
tua pele em tom canela
desbanca qualquer branquela
e arrebanha apaixonados!
Morena, teu cheiro invade
e aflora o meu olfato;
perfuma minha vontade,
arrepia meu extrato
que só pensa em dar um bote
no cheiro do teu cangote;
mesmo sendo, assim, gaiato!
Morena, essas tuas coxas
são coisas de outro mundo;
O teu bumbum (nem te falo!)
é primeiro sem segundo;
teu corpo é todo pecado,
é caminho assegurado
pro deleite mais profundo!
Morena, esse teu olhar
somado com teu sorriso
são cento e cinqüenta gramas
a menos no meu juízo;
e desse jeito eu te juro:
bora ali num pé de muro
qu’eu te mostro o paraíso!
João Pessoa, 06/12/2009.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Instinto
De ser pai também um dia
Ser herói da minha cria
Tal e qual foram meus pais
Aprender como se faz
Fazer minha vida em sua
Reclamar que o sono encrua
Trocar frauda, dar papinha,
Ensinar-lhe sem rodinha
E vê-lo ganhar a rua...
João Pessoa, 26/11/2009.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Mariposa
em pousar na minha alma?
Em abalar minha calma?
Em fazer tamanha cousa?
Não sabes que a alma humana
é terreno perigoso?
Por que arriscas um pouso
na alma de quem te ama?
João Pessoa, 23/11/2009.
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domingo, 22 de novembro de 2009
Sorria!
E o detalhe tão robusto;
quando acordar for um susto
e o espelho parecer louco
lembra do sussurro rouco
que a tua pele ouriçava
lembra de quem te amava
de tudo que tu sentias
lembra de como sorrias
quando ele te abraçava
Lembra, mas não com tristeza;
procura aí teu alento
e encontrarás toda a força
pra findar esse tormento...
A vida é um ciclo tão breve
Pra se tornar tão pequena!
Não ache que após a cena
o ator entra de greve.
Triste é quem nunca se atreve,
quem cala na agonia.
É bom chorar algum dia,
isso ensina a aprender
E se a vida te bater
simplesmente lhe sorria!
João Pessoa, 22/11/2009.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Borracho
Preciso me embriagar
Quero matar essa dor
Antes dela me matar...
Não deixe o copo secar
Tal e qual meu coração
Murcho desde a audição
Da frase que o condenou
O som do “tudo acabou”
Endoidou minha razão...
Bebo e o copo é minha dor
Que parece não ter fim
A cada gole que eu dou
Alguém o enche pra mim
Mas não vai ser sempre assim
Vou todos copos secar
E a minha dor vai cessar
Num sorriso embriagado
Atônito, amarelado
Antes de enfim desmaiar...
João Pessoa, 20/11/2009.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
O Auto do Fim
Fiz o máximo que deu:
Inventei um outro eu,
Mas ainda nem assim...
FIM!
João Pessoa, 19/11/2009.
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Pabulagem
que se diz o pegador,
que desconhece o perigo,
mas jura ser o terror?
Diz que manda onde estiver,
que é o bonzão com mulher:
o grande conquistador!
Eu conheço um cara assim,
mas não vou nome citar,
só vou contar-lhes um causo
qu’eu pude presenciar:
um caso de pabulagem,
de contação de vantagem,
que se assucedeu num bar!
Nesse bar tinham três deusas,
umas tás de garçonetes,
das que vendem no balcão
de cachaça a grapettes.
Eram moças tão bonitas,
que ante mesmo às biritas,
eram elas as vedetes!
Pois pronto, foi nesse bar
(esse tal de espaço mundo)
qu’eu ouvi o Dom Juan
usar seu papo profundo...
Um colóquio tão cabeça
que nem qu’eu queira o esqueça
por um único segundo!
Primeiro vou explicar
como ele me contou:
- Cheguei no balcão do bar,
a primeira me olhou...
Eu pedi uma cerveja;
ela disse “assim seja”
e por mim se apaixonou...
- Pediu o meu telefone
segurando em minha mão,
piscou o olho pra mim
e eu pensando “por que não?”;
atendi ao seu pedido
e antes d’eu ter saído
já tinha uma ligação!
E emendando ele me disse
que já tava faturando
aquela Deusa do bar,
que a todos anda atentando.
Vôte, cara pabuloso!
Veio bancar o gostoso
e acabou foi se quebrando.
Pois eu tava no balcão
(ele não me conheceu)
e sem querer eu ouvi
como tudo aconteceu.
Eu não ia nem contar,
mas veio se pabular
e agora se fudeu!
Esse cara abestalhado
ficou por ali bestando
sem ninguém lhe atender
e ele em pé esperando;
olhando pra garçonete,
que só num deu-lhe um bufete
por que tava trabalhando!
Depois de tempos em pé,
encostado no balcão;
gritou por uma cerveja,
Esperou mais um verão,
e quando foi atendido
foi muito bem precedido
da falta de atenção!
A moça nem o olhou,
mas não foi indelicada.
Também nem se o quisera
sendo tão agraciada!
Porém notei que a bebida
que tinha sido servida
não tava muito gelada...
de arrebatar a musa,
pra tentar puxar assunto,
endireitou sua blusa;
fez cara de Zé ruela,
pediu dois copos a ela
que o despachou obtusa...
Daí eu olhei pra trás:
Lá ia ele bufando,
com uma cerveja quente
e dois copos lhe sobrando!
Só o vi no outro dia,
cheio de prosa e folia;
da noite se pabulando!
Pois toma seu mentiroso!
Tu pensa que engana a quem?
Todo metido a gostoso
Só por que nada em vintém?
Leva-se um belo de um toco
Inda esquece-se do troco
Da tua nota de cem...
João Pessoa, 18/11/2009.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Lua Minguada
A lua ficou opaca.
Ela não mais quer brilhar
e o breu que tomou o ar,
durante a noite me ataca.
Sem luz não vejo a estaca
no final da minha estrada
e assim rumar para o nada
tornar-se-á minha sina,
procurando em cada esquina
por outra musa aluada!
Sem lua a noite é a morte
na foice da solidão,
sem lua as marés não são
mais que uma onda mais forte!
Pra mim a lua era o norte,
na bússola do viver,
que vai seguir sem pra quê
até que surja outra lua
que o breu da noite destrua
e faça a vida valer!
João Pessoa, 16/11/2009
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domingo, 8 de novembro de 2009
Amor Morto
Pobre homem, perdido imerso em dor,
despedindo-se ali do seu amor;
qu’entre os vivos mais nada respondia.
O casal, que outrora só sorria,
teve um fim prematuro: a morte inglória!
E a quem fica não resta escapatória
que não seja chorar a grande ausência
e ter fé de que em outra existência
o amor retomará sua história!
João Pessoa, 08/11/2009.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Dança
Mais quando tomo teu lado
De corpo e rosto colado,
Não consigo acertar
Meus pés me desobedecem
E meus ouvidos se esquecem
De a música escutar...
O meu corpo ouriçado
Fica todo arrepiado
Na tua respiração
Já minh’alma sem cadência
Sai cometendo a insolência
De atropelar a canção...
Sem saber te conduzir
Eu erro sem nem sentir
E tu finges não notar...
Enquanto em teu “ouvidor”
Eu te falo: Minha Flor,
Não compares meu amor
Com o quanto sei dançar!
João Pessoa, 03/11/2009.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Série "Sob Medida..."
Papito, meu pai querido
Meu progenitor, meu rei
Não se ponha aborrecido
Mas confesso que sou gay
E foi seu brother Paulão,
O Zezão, Chicão, Tonhão;
Com eles qu’eu confirmei!
João Pessoa, 26/10/2009
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Série “Sob Medida...”
Cascos pra dois engradados
Eu tomei que nem senti
Aqueles litros virados
Acho que eu que bebi
E tou bonzim, zero bala
Só tou meio ruim da fala
Mas foi algo qu’eu comi!
João Pessoa, 26/10/2009.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Série "Sob Medida..."
Você me disse que sou
Gostosinho pra chuchu
Só porque estou tomando
Uísque com Redbull
Mas ele é falsificado
E eu estou desempregado
Devendo meu próprio cú!
João Pessoa, ... 2008
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Série "Sob Medida..."
Mamãe que me passou talco
E limpou a minha bunda
Sempre me alertou: Cuidado
Com mulheres sujismundas
Pois quando o cabra se atraca
A má fama lhe ataca
E a reputação afunda!
João Pessoa, ... 2008
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Série "Sod Medida..."
De ti gosto até mais
Que dum frevo bem tocado
Pra ti guardar sou capaz
De dar tapa em delegado
Sou valente brigador
E mexeu com meu amor
Ou sai morto ou aleijado!
João Pessoa, ... 2008
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Série "Sob Medida..."
Sois nuança da aurora
Que alegra o sol nascer
Um encanto enfeitiçado
Que me fez endoidecer
E lhe peço que me ame
Pra qu’eu feito origami
Te dobre com meu prazer!
João Pessoa, ... 2008
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Sortilégio
Quem é ela que flutua
Pelas calçadas da rua,
Sedutora e seminua
Aliciando os olhares?
Quem é que assim se insinua
Numa noite nua e crua,
Sob a luz fraca da lua,
Pelos cabarés e bares?
Há de ser uma visão?
Oásis da tentação?
Será a maça de Adão
Que incita o pecado?
Ou um anjo displicente?
De Deus, um teste latente!
Deusa em forma de gente,
Ao olhar embriagado!
O garçom me elucidou
Que a dama que passou
É o que se famigerou
Mulher da vida e da rua;
Porém ela é mais que isso,
Há de haver nela um feitiço
Qu’arrepiou meu toitiço
E fez de minh’alma sua!
Assim, vou de bar em bar,
Bebendo a esperar
Ver noutra noite, a passar,
Aquela mulher perdida;
Pois só vou me sossegar
Depois que me declarar.
Eu preciso lhe contar
Que é dela a minha vida!
João Pessoa, 21/09/2009.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Distância
Tendo em suas mãos um globo
Tentou medir a distância.
Um palmo de sua mão,
Era essa a impedância!
Mas que significância
Pode haver nessa extensão?
Foi quando pousou sua mão
Sobre o peito, outrora calmo,
E descobriu que num palmo
Cabia seu coração!
Tendo em suas mãos um mapa
Concentrou sua atenção
Naquele país adonde
Fora morar sua paixão.
Tinha com isso a ilusão
De sentir mais uma vez
O cheiro de sua tez
Brotar da rosa-dos-ventos
Sem ver que seus pensamentos
Já não tinham sensatez!
Mas o tempo escorre aos poucos
Quase sem velocidade
Na ampulheta da vida
Dando-lhes vivacidade
E quando se reencontrarem
Choverá felicidade!
O todo terá mais vida!
Bem mais que meras metades!
E dentre noites seguidas
Matarão suas saudades!
O céu cravado de estrelas
Entre as nuvens sorrirá
Os calafrios da noite
Em brisa os abrasará
E um sol de amor nascerá
Auroreando com vida
A insônia mal dormida
Dum amor itinerante
Que regressa ao quadrante
De onde fez a partida!
João Pessoa, 10/09/2009.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Dia dos Pais
Já são pra lá de dez anos
Qu’eu só dou gasto e estudo
Sei que não tava nos planos
Qu’eu estudasse isso tudo
Mas o seu consentimento
Foi um grande investimento
Qu’em lucro vai se tornar...
Painho não fique louco,
Pois agora resta pouco
Pr’eu conseguir me formar!
Foi por tanto estudar
Que dei os passos que dei
Pra quem sabe melhorar
O futuro que terei;
O futuro meu e seu,
Onde tudo que me deu
Vou lhe dar um tanto mais
Mas até que eu me forme
Peço pra que se conforme
C’um “Feliz dia dos pais!”
João Pessoa, 07/08/2009.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Velha Radiola
O chiado de um vinil
Na radiola a rodar
Oscilando empenado
Jogando notas no ar
Traz-me a recordação
De um tempo em que então
Vovô me contava histórias
Com o seu falar cantado
E seu timbre aveludado
Contando fatos e glórias
Pois n’antiga residência
Onde fez sua morada
Tinha para seus vinis
Uma área reservada
Er’um quarto recuado
Com seu nível rebaixado
Tendo ares de porão
De onde se escutava,
Sempre qu’ele ali estava,
O som de uma canção
Er’aquele seu porão
De paredes mal pintadas
Repleto de prateleiras
Com caixas de som queimadas
Tinha fios por tod’os lados;
Aparelhos desmontados,
Pra seus consertos exatos,
E gambiarras ousadas;
Já debaixo das escadas
Tinha caixas e sapatos!
E tardes corriam soltas
Naquele quarto abastado
De tranqueiras e vinis
Por tudo quanto era lado
Era ali o seu lugar
Onde se punha a escutar
De Vicente Celestino
Ao grande Noite Ilustrada
O sucesso da parada
Dos seus tempos de menino!
Porém a idade veio
E com ela uma senhora
Que responde por Alzheimer
Chegou sem nem marcar hora
E fez de vovô cliente
Sem este ser condizente
Afetando sua lembrança
Sem dar direito a defesa
Mas para sua surpresa
Encontrou uma relutância!
Pois em meio aos exemplares
De vinis ultrapassados
Cantava-se às milhares
Recordações do passado
Que agora a memória,
De vovô, já tão simplória
Tornava embaraçadas
Mas que o som da radiola
Disparava qual pistola
Como lembranças cantadas!
E assim vovô não cede
A esta doença inglória
Armado com seus vinis,
Ouvindo sua história
Na vitrola do viver
E não queiram me dizer
Que tudo aquilo é entulho
Pois já deixo o aviso
Que, quando assim for preciso,
Vou os herdar com orgulho!
Todavia hoje em dia,
Sendo-lhes bastante franco,
Raramente tenho visto
Aqueles cabelos brancos...
Não tenho visto vovô
Então o que me restou
Foi esta recordação
Que do meu cerne decola
Ao ouvir da radiola
Uma saudosa canção...
João Pessoa, 03/08/2009.
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sábado, 1 de agosto de 2009
Brado "Inrretumbante"!
Nasceu com vida e perfeito
Mas uma paraplegia
Proveu-lhe de um defeito
Tornando o jovem infante
Usuário cadeirante
Antes de ser homem feito
Ficara preso à cadeira
Uma peça essencial
Instrumento incorporado
Como uma parte vital
Ao seu corpo limitado
Mas não ficara fadado
A viver na escuridão
Pois tinha dentro do peito
Num passo mais que perfeito
Um valente coração!
Adaptou sua vida
A nova realidade
Sem se deixar abater
Rejeitou a piedade
E com a cabeç’erguida
Deu uma nova partida
N’aventura do viver
Pra dentre desilusões
Descobrir limitações
Que teria que vencer
Consagrou-se vencedor
Numa luta desigual
Pra ir de casa à esquina
Entre a guia e o degrau
Montado em sua cadeira
Derrotou a buraqueira
D’uma calçada minada
Pra depois de lá chegar
Por três horas esperar
Uma “Van” adaptada!
Esta é só uma batalha
De tantas que já travou
Todavia é evidente
Que nem em todas ganhou
Pois este mundo padrão
Sem rampas e corrimão
É uma grande armadilha
Que para a deficiência
Transforma uma residência
N’uma verdadeira ilha
Mas não é só neste caso
Que o nosso mundo é hostil
Também vale pra o cego,
O muletante, o senil
E o imperfeito auditivo;
Todos eles têm motivo
Pr’as ruas não freqüentar,
Pois estas são um espaço
Que demanda por um passo
Que nem todos podem dar!
Sendo assim o qu’acontece
É que muitos se ocultam
E ainda estando vivos
As suas vidas sepultam
Imersos na escuridão
Sem despertar atenção
De uma gente egoísta
Que tem a saúde plena
Mas não move uma pena
Pra que isso não persista!
João Pessoa, 31/07/2009.
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