segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mariposa

Como ousas, Mariposa,
em pousar na minha alma?
Em abalar minha calma?
Em fazer tamanha cousa?

Não sabes que a alma humana
é terreno perigoso?
Por que arriscas um pouso
na alma de quem te ama?


João Pessoa, 23/11/2009.

domingo, 22 de novembro de 2009

Sorria!

Quando o tudo for tão pouco
E o detalhe tão robusto;
quando acordar for um susto
e o espelho parecer louco
lembra do sussurro rouco
que a tua pele ouriçava
lembra de quem te amava
de tudo que tu sentias
lembra de como sorrias
quando ele te abraçava

Lembra, mas não com tristeza;
procura aí teu alento
e encontrarás toda a força
pra findar esse tormento...

A vida é um ciclo tão breve
Pra se tornar tão pequena!
Não ache que após a cena
o ator entra de greve.
Triste é quem nunca se atreve,
quem cala na agonia.
É bom chorar algum dia,
isso ensina a aprender
E se a vida te bater
simplesmente lhe sorria!

João Pessoa, 22/11/2009.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Borracho

Enche o copo, por favor,
Preciso me embriagar
Quero matar essa dor
Antes dela me matar...
Não deixe o copo secar
Tal e qual meu coração
Murcho desde a audição
Da frase que o condenou
O som do “tudo acabou”
Endoidou minha razão...

Bebo e o copo é minha dor
Que parece não ter fim
A cada gole que eu dou
Alguém o enche pra mim
Mas não vai ser sempre assim
Vou todos copos secar
E a minha dor vai cessar
Num sorriso embriagado
Atônito, amarelado
Antes de enfim desmaiar...

João Pessoa, 20/11/2009.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Auto do Fim


Fiz o máximo que deu:
Inventei um outro eu,
Mas ainda nem assim...

FIM!

João Pessoa, 19/11/2009.

Pabulagem

Quem não tem aquele amigo
que se diz o pegador,
que desconhece o perigo,
mas jura ser o terror?
Diz que manda onde estiver,
que é o bonzão com mulher:
o grande conquistador!

Eu conheço um cara assim,
mas não vou nome citar,
só vou contar-lhes um causo
qu’eu pude presenciar:
um caso de pabulagem,
de contação de vantagem,
que se assucedeu num bar!

Nesse bar tinham três deusas,
umas tás de garçonetes,
das que vendem no balcão
de cachaça a grapettes.
Eram moças tão bonitas,
que ante mesmo às biritas,
eram elas as vedetes!

Pois pronto, foi nesse bar
(esse tal de espaço mundo)
qu’eu ouvi o Dom Juan
usar seu papo profundo...
Um colóquio tão cabeça
que nem qu’eu queira o esqueça
por um único segundo!

Primeiro vou explicar
como ele me contou:
- Cheguei no balcão do bar,
a primeira me olhou...
Eu pedi uma cerveja;
ela disse “assim seja”
e por mim se apaixonou...

- Pediu o meu telefone
segurando em minha mão,
piscou o olho pra mim
e eu pensando “por que não?”;
atendi ao seu pedido
e antes d’eu ter saído
já tinha uma ligação!

E emendando ele me disse
que já tava faturando
aquela Deusa do bar,
que a todos anda atentando.
Vôte, cara pabuloso!
Veio bancar o gostoso
e acabou foi se quebrando.

Pois eu tava no balcão
(ele não me conheceu)
e sem querer eu ouvi
como tudo aconteceu.
Eu não ia nem contar,
mas veio se pabular
e agora se fudeu!

Esse cara abestalhado
ficou por ali bestando
sem ninguém lhe atender
e ele em pé esperando;
olhando pra garçonete,
que só num deu-lhe um bufete
por que tava trabalhando!

Depois de tempos em pé,
encostado no balcão;
gritou por uma cerveja,
Esperou mais um verão,
e quando foi atendido
foi muito bem precedido
da falta de atenção!

A moça nem o olhou,
mas não foi indelicada.
Também nem se o quisera
sendo tão agraciada!
Porém notei que a bebida
que tinha sido servida
não tava muito gelada...
.
E o coitado ainda crente
de arrebatar a musa,
pra tentar puxar assunto,
endireitou sua blusa;
fez cara de Zé ruela,
pediu dois copos a ela
que o despachou obtusa...

Daí eu olhei pra trás:
Lá ia ele bufando,
com uma cerveja quente
e dois copos lhe sobrando!
Só o vi no outro dia,
cheio de prosa e folia;
da noite se pabulando!

Pois toma seu mentiroso!
Tu pensa que engana a quem?
Todo metido a gostoso
Só por que nada em vintém?
Leva-se um belo de um toco
Inda esquece-se do troco
Da tua nota de cem...

João Pessoa, 18/11/2009.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lua Minguada

A lua ficou opaca.

Ela não mais quer brilhar

e o breu que tomou o ar,

durante a noite me ataca.
Sem luz não vejo a estaca

no final da minha estrada

e assim rumar para o nada

tornar-se-á minha sina,
procurando em cada esquina
por outra musa aluada!


Sem lua a noite é a morte

na foice da solidão,

sem lua as marés não são

mais que uma onda mais forte!

Pra mim a lua era o norte,

na bússola do viver,

que vai seguir sem pra quê

até que surja outra lua

que o breu da noite destrua

e faça a vida valer!


João Pessoa, 16/11/2009

domingo, 8 de novembro de 2009

Amor Morto

Triste dia aquele que nascia!
Pobre homem, perdido imerso em dor,
despedindo-se ali do seu amor;
qu’entre os vivos mais nada respondia.
O casal, que outrora só sorria,
teve um fim prematuro: a morte inglória!
E a quem fica não resta escapatória
que não seja chorar a grande ausência
e ter fé de que em outra existência
o amor retomará sua história!

João Pessoa, 08/11/2009.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dança

Posso até muito ensaiar
Mais quando tomo teu lado
De corpo e rosto colado,
Não consigo acertar

Meus pés me desobedecem
E meus ouvidos se esquecem
De a música escutar...

O meu corpo ouriçado
Fica todo arrepiado
Na tua respiração

Já minh’alma sem cadência
Sai cometendo a insolência
De atropelar a canção...

Sem saber te conduzir
Eu erro sem nem sentir
E tu finges não notar...

Enquanto em teu “ouvidor”
Eu te falo: Minha Flor,
Não compares meu amor
Com o quanto sei dançar!

João Pessoa, 03/11/2009.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Série "Sob Medida..."

...Pra confessar viadagem

Papito, meu pai querido
Meu progenitor, meu rei
Não se ponha aborrecido
Mas confesso que sou gay
E foi seu brother Paulão,
O Zezão, Chicão, Tonhão;
Com eles qu’eu confirmei!

João Pessoa, 26/10/2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Série “Sob Medida...”

...Pra bebo bom

Cascos pra dois engradados
Eu tomei que nem senti
Aqueles litros virados
Acho que eu que bebi
E tou bonzim, zero bala
Só tou meio ruim da fala
Mas foi algo qu’eu comi!

João Pessoa, 26/10/2009.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Série "Sob Medida..."

...Pra Mulher Interesseira

Você me disse que sou
Gostosinho pra chuchu
Só porque estou tomando
Uísque com Redbull
Mas ele é falsificado
E eu estou desempregado
Devendo meu próprio cú!

João Pessoa, ... 2008

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Série "Sob Medida..."

...Pra dar Fora em Mulher Feia

Mamãe que me passou talco
E limpou a minha bunda
Sempre me alertou: Cuidado
Com mulheres sujismundas
Pois quando o cabra se atraca
A má fama lhe ataca
E a reputação afunda!

João Pessoa, ... 2008

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Série "Sod Medida..."

...Pra Marcar Território

De ti gosto até mais
Que dum frevo bem tocado
Pra ti guardar sou capaz
De dar tapa em delegado
Sou valente brigador
E mexeu com meu amor
Ou sai morto ou aleijado!

João Pessoa, ... 2008

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Série "Sob Medida..."

...Pra Sussurrar no Ouvido

Sois nuança da aurora
Que alegra o sol nascer
Um encanto enfeitiçado
Que me fez endoidecer
E lhe peço que me ame
Pra qu’eu feito origami
Te dobre com meu prazer!

João Pessoa, ... 2008

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sortilégio

Feitiço da Mulher da Noite

Quem é ela que flutua
Pelas calçadas da rua,
Sedutora e seminua
Aliciando os olhares?
Quem é que assim se insinua
Numa noite nua e crua,
Sob a luz fraca da lua,
Pelos cabarés e bares?

Há de ser uma visão?
Oásis da tentação?
Será a maça de Adão
Que incita o pecado?
Ou um anjo displicente?
De Deus, um teste latente!
Deusa em forma de gente,
Ao olhar embriagado!

O garçom me elucidou
Que a dama que passou
É o que se famigerou
Mulher da vida e da rua;
Porém ela é mais que isso,
Há de haver nela um feitiço
Qu’arrepiou meu toitiço
E fez de minh’alma sua!

Assim, vou de bar em bar,
Bebendo a esperar
Ver noutra noite, a passar,
Aquela mulher perdida;
Pois só vou me sossegar
Depois que me declarar.
Eu preciso lhe contar
Que é dela a minha vida!

João Pessoa, 21/09/2009.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Distância

à Ewerton e Érica, separados pelo atlântico.

Tendo em suas mãos um globo
Tentou medir a distância.
Um palmo de sua mão,
Era essa a impedância!
Mas que significância
Pode haver nessa extensão?
Foi quando pousou sua mão
Sobre o peito, outrora calmo,
E descobriu que num palmo
Cabia seu coração!

Tendo em suas mãos um mapa
Concentrou sua atenção
Naquele país adonde
Fora morar sua paixão.
Tinha com isso a ilusão
De sentir mais uma vez
O cheiro de sua tez
Brotar da rosa-dos-ventos
Sem ver que seus pensamentos
Já não tinham sensatez!

Mas o tempo escorre aos poucos
Quase sem velocidade
Na ampulheta da vida
Dando-lhes vivacidade
E quando se reencontrarem
Choverá felicidade!
O todo terá mais vida!
Bem mais que meras metades!
E dentre noites seguidas
Matarão suas saudades!

O céu cravado de estrelas
Entre as nuvens sorrirá
Os calafrios da noite
Em brisa os abrasará
E um sol de amor nascerá
Auroreando com vida
A insônia mal dormida
Dum amor itinerante
Que regressa ao quadrante
De onde fez a partida!

João Pessoa, 10/09/2009.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Versão Universitária

Já são pra lá de dez anos
Qu’eu só dou gasto e estudo
Sei que não tava nos planos
Qu’eu estudasse isso tudo
Mas o seu consentimento
Foi um grande investimento
Qu’em lucro vai se tornar...
Painho não fique louco,
Pois agora resta pouco
Pr’eu conseguir me formar!

Foi por tanto estudar
Que dei os passos que dei
Pra quem sabe melhorar
O futuro que terei;
O futuro meu e seu,
Onde tudo que me deu
Vou lhe dar um tanto mais
Mas até que eu me forme
Peço pra que se conforme
C’um “Feliz dia dos pais!”

João Pessoa, 07/08/2009.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Velha Radiola

(A Manoel Costa Palma)

O chiado de um vinil
Na radiola a rodar
Oscilando empenado
Jogando notas no ar
Traz-me a recordação
De um tempo em que então
Vovô me contava histórias
Com o seu falar cantado
E seu timbre aveludado
Contando fatos e glórias

Pois n’antiga residência
Onde fez sua morada
Tinha para seus vinis
Uma área reservada
Er’um quarto recuado
Com seu nível rebaixado
Tendo ares de porão
De onde se escutava,
Sempre qu’ele ali estava,
O som de uma canção

Er’aquele seu porão
De paredes mal pintadas
Repleto de prateleiras
Com caixas de som queimadas
Tinha fios por tod’os lados;
Aparelhos desmontados,
Pra seus consertos exatos,
E gambiarras ousadas;
Já debaixo das escadas
Tinha caixas e sapatos!

E tardes corriam soltas
Naquele quarto abastado
De tranqueiras e vinis
Por tudo quanto era lado
Era ali o seu lugar
Onde se punha a escutar
De Vicente Celestino
Ao grande Noite Ilustrada
O sucesso da parada
Dos seus tempos de menino!

Porém a idade veio
E com ela uma senhora
Que responde por Alzheimer
Chegou sem nem marcar hora
E fez de vovô cliente
Sem este ser condizente
Afetando sua lembrança
Sem dar direito a defesa
Mas para sua surpresa
Encontrou uma relutância!

Pois em meio aos exemplares
De vinis ultrapassados
Cantava-se às milhares
Recordações do passado
Que agora a memória,
De vovô, já tão simplória
Tornava embaraçadas
Mas que o som da radiola
Disparava qual pistola
Como lembranças cantadas!

E assim vovô não cede
A esta doença inglória
Armado com seus vinis,
Ouvindo sua história
Na vitrola do viver
E não queiram me dizer
Que tudo aquilo é entulho
Pois já deixo o aviso
Que, quando assim for preciso,
Vou os herdar com orgulho!

Todavia hoje em dia,
Sendo-lhes bastante franco,
Raramente tenho visto
Aqueles cabelos brancos...
Não tenho visto vovô
Então o que me restou
Foi esta recordação
Que do meu cerne decola
Ao ouvir da radiola
Uma saudosa canção...

João Pessoa, 03/08/2009.

sábado, 1 de agosto de 2009

Brado "Inrretumbante"!

Num mundo modo padrão
Nasceu com vida e perfeito
Mas uma paraplegia
Proveu-lhe de um defeito
Tornando o jovem infante
Usuário cadeirante
Antes de ser homem feito

Ficara preso à cadeira
Uma peça essencial
Instrumento incorporado
Como uma parte vital
Ao seu corpo limitado
Mas não ficara fadado
A viver na escuridão
Pois tinha dentro do peito
Num passo mais que perfeito
Um valente coração!

Adaptou sua vida
A nova realidade
Sem se deixar abater
Rejeitou a piedade
E com a cabeç’erguida
Deu uma nova partida
N’aventura do viver
Pra dentre desilusões
Descobrir limitações
Que teria que vencer

Consagrou-se vencedor
Numa luta desigual
Pra ir de casa à esquina
Entre a guia e o degrau
Montado em sua cadeira
Derrotou a buraqueira
D’uma calçada minada
Pra depois de lá chegar
Por três horas esperar
Uma “Van” adaptada!

Esta é só uma batalha
De tantas que já travou
Todavia é evidente
Que nem em todas ganhou
Pois este mundo padrão
Sem rampas e corrimão
É uma grande armadilha
Que para a deficiência
Transforma uma residência
N’uma verdadeira ilha

Mas não é só neste caso
Que o nosso mundo é hostil
Também vale pra o cego,
O muletante, o senil
E o imperfeito auditivo;
Todos eles têm motivo
Pr’as ruas não freqüentar,
Pois estas são um espaço
Que demanda por um passo
Que nem todos podem dar!

Sendo assim o qu’acontece
É que muitos se ocultam
E ainda estando vivos
As suas vidas sepultam
Imersos na escuridão
Sem despertar atenção
De uma gente egoísta
Que tem a saúde plena
Mas não move uma pena
Pra que isso não persista!

João Pessoa, 31/07/2009.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Poesia da Merda

Eu sinto dentro de mim
Qu’esse caso acaba agora
Que pra ela é o fim
Que ela quer ir embora
De mim está saturada
Não quer mais minha morada
Forçando sua partida
E sentado na privada
Vou defecar minha amada
A minha merda querida!

Mas depois de evacuá-la
Levantarei devagar
Pra à derradeira fitá-la
Na bacia a flutuar
Com seu glamour e elegância
Grande em tamanho, sustância
E exuberância fecal
Depois darei a descarga
Triste como quem amarga
Perder um órgão vital!

É assim qu’eu me apaixono
E me frustro todo dia
Sentado aqui neste trono
Vaso, privada ou bacia
Sendo fadado a perder
Algo que eu fiz crescer
E’m meu cerne cultivei,
Pra de forma obtusa
Depois transformar em musa
Esta merda que caguei!

João Pessoa, 22/07/2009.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Confraria dos Desiludidos I

(Poesia sem Fim)

Joaquim se apaixonou
Por uma nuvem do céu
Que de forma afeminada
Vestia-se com um véu
Mas veio uma ventania
E na andança do dia
Esse amor foi pro “bedel”

Tereza gamou num poste
Que brilhava mais que a lua
E religiosamente
Paquerava a luz sua
Mas um dia a luz queimou
E o escuro se apossou
Do seu amor e da rua!

Carlito amava sua sombra
E ela o correspondia
Para onde ia Carlito
Sua sombra o seguia
Mas esse amor acabou
Pois Carlito se empregou,
De guarita, foi vigia!

A paixão de Maristela
Era seu próprio nariz
Sempre olhando sua ponta
Não beijava por um triz
E deste jeito a pimpolha
Ficou pra sempre zarolha
Solitária e infeliz!

João Pessoa, 27/05/2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Engenharia

Como é bela a engenharia
Como é linda essa ciência
Que aumenta a inteligência
Daquele que a desafia
Quem nesse meio se cria
Só mastigando equação
Desenvolve aptidão
Pra escapar de dilema
E o buraco do problema
Tapa com a solução!

Nada é incompreensível
Aos olhos dum engenheiro
Desmonta e monta ligeiro
Por increça que parível
Se queimar, troca o fusível
Se esquentar, baixa a pressão
Se vazar, faz vedação
Se travar, troca o sistema
E o buraco do problema
Tapa com a solução!

Com uma calculadora
Que já sabe até falar
Só lhes falta inventar
Uma invenção inventora
Não há melhor professora
Nas artes da inovação
Do que essa profissão
Que encara qualquer tema
E o buraco do problema
Tapa com a solução!

João Pessoa, 06/07/2009.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pei-bufo!

Sei que posso parecer
um playboy sem conteúdo,
sei também que não sou tudo
que um homem pode ser,
mas se tu me conhecer
vais mudar o teu conceito
pois vou arrancar do peito
o verso mais encantado
pra deixar bem retratado
que somos um par perfeito!

E se acaso eu me perder
entre as rimas de um verso,
simplesmente eu lhe peço
para me compreender,
pois tão perto de você
não da pra me concentrar
e se meu peito parar
tão perto do paraíso
NAS COVAS DO TEU SORRISO
EU QUERO ME ENTERRAR!

João Pessoa, 30/06/2009.

domingo, 28 de junho de 2009

Sorrisos de vida

(Sinceridad’escancarada)


Imagem: http://www.flickr.com/photos/harryfirmo

O sorrir da criança travessa
A dureza do dia atravessa;
Num alívio pra dor, é compressa
Pra que vida não se esmoreça
E a idéia então surge à cabeça
Numa estória que um senil inventa
Pra manter a criança atenta
Pra encantar o moleque danado
Vai o idoso deixando de lado
Velhas dores que a idade apresenta!

A alegria de uma criança
Tem poder de rejuvenescer
Tem a força de fazer nascer
Pro futuro uma nova esperança
E enquanto uma ruga avança
A somar numerais à idade
A quem ache a felicidade
Na sinceridad’escancarada
Que transborda em cada risada
De quem nem sabe o qu’é falsidade!

João Pessoa, 28/06/2009.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pés de Saco Plástico

(nas margens do capibaribe-mirim)

Já tantos palmos mais raso
e tanto mais poluído
lá se encontram vis dejetos
a cada metro escorrido
e no curso transiente
é suja a água corrente
onde não há um vivente
que não tenha sucumbido!

É triste, porém é fato
e a tendência é piorar;
pois na cobiça do homem,
sedento por enricar,
vem a plantação de cana
o milho, a uva e a banana
pra na irrigação da gana
as suas águas sugar!

Já na mata ciliar,
sua vida marginal,
o retrato da porqueira
é evidência cabal
de que o homem tava errado
ao ter se configurado
como sendo ser dotado
de caráter racional!

João Pessoa, 26/06/2009.

sábado, 20 de junho de 2009

Dizer Matuto

Um caboclo amatutado
De feitio mirabolante
Andarilho itinerante
Viajante calejado
Me deixou ababacado
Numa linda confissão
Que juntou uma multidão
De ouvidos escutantes
Escutando o viajante
Dizer a todo pulmão:

Achei o complementar
Do meu conjunto universo
Para o mote achei um verso
Que faz meus olhos brilhar
Ela faz vida jorrar
Da minha alma lascada
E nas curvas dessa estrada
Diz um refrão que eu canto:
QUEM É FELIZ DO MEU TANTO
NÃO TEM INVEJA DE NADA.

E eu ali escutando
Não me botei invejoso!
Do contrário, vaidoso
Com um sorriso estufando
Pois ele estava rimando
A canção apaixonada
Qu’eu compus pra minha amada
Provando sem “entretanto”:
QUEM É FELIZ DO MEU TANTO
NÃO TEM INVEJA DE NADA!

João Pessoa, 20/06/2009.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Jeito Carolina



Amo teus olhos puxados
Que quando nos teus sorrisos
Ficam quase que fechados
Formando riscos precisos

Amo teu jeito pequena
De ser grande em pensamento
Amo tua voz serena
Traçando um bom argumento

Amo teu jeito apressada
De querer resolver tudo
Amo teu jeito ocupada
De dizer: Deixa, eu lhe ajudo!

Amo teu jeito mulher
Amo teu jeito menina
Amo teu jeito de ser
Simplesmente Carolina!

João Pessoa, 12/06/2009.

sábado, 6 de junho de 2009

Concorrência Desleal

(Céu VS Inferno)

Vim na sua casa para lhe falar
Que na pisada que as coisas vão
Não leva tempo pra o mundo acabar
Com tanta falta de regulação.
É necessária uma intervenção
Pois o inferno está quase lotado,
Enquanto o céu cada vez mais parado
Criando teia de aranha nos cantos;
Já faz cem anos que não sobe um santo
E há dois segundos desceu um tarado!

Ora, compadre, tu é o culpado
Se teu salão está entregue as traças
Pois se teu clube tem dez mandamentos
Na minha liga a entrada é de graça
Se no teu céu a bebida é o vinho
No meu inferno a birita é cachaça
Já foi-se a época da castidade
O povo quer fogo e não só fumaça;
E eu abro vaga a qualquer qualidade:
D’advogado às menores desgraças!

João Pessoa, 06/06/2009.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Intento

Escolha ser vírgula ou ponto final
Escolha ser fonte ou receptor
Escolha entre o tiro e o beija-flor
Escolha a bandeira do bem ou do mal
Pratique o excesso ou o essencial
Não atire a pedra se deseja a paz
Não ande pra frente pensando no atrás
Não julgue possível mudar o escolhido
Pois há um futuro diverso escondido
Em cada escolha que a gente faz...

João Pessoa, 02/06/2009.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Arritmia

Coração abandonado,
Quando ainda estava amando,
Embora siga pulsando,
Perde o significado;
Bate para o lado errado,
Erra o tempo de bater;
Sem ter mais nenhum por quê
Para garganta suspendi-se
E tal “qualmente” o apêndice
Vai servir só pra doer...

É um órgão enganado,
Batendo bem na goela,
Que, de tanto lembrar dela,
Fica sobrecarregado;
Esquenta o peito rasgado,
Esfria a palma da mão,
Embaça toda a visão
Numa lágrima insistente
E não há quem se sustente
Quando tomba o coração!

Timbaúba, 01/06/2009.